Dada a adoração que o público (e principalmente meus amigos, devo dizer) tem frente a mesma, minhas expectativas para Cyberpunk Edgerunners eram colossais, principalmente no que tange o drama e a carga emocional da obra. No fim, o que encontrei foi um anime muito bem feito, com uma história ok, uma direção de arte muito boa (o que é natural, posto que ele bebe muito do que vemos no jogo, que é fenomenal nesse quesito), uma animação excepcional – que sim, faz o uso de animações 3D em momentos pontuais, mas não se preocupe: aqui, em Edgerunners, elas são boas! – e personagens que, no geral, são muito bem construídos, apresentados e desenvolvidos. Inclusive, é admirável como mesmo personagens secundários e com poquissímo tempo de tela têm toda uma atenção a sua caracterização, apresentação e construção. Isso agregou muito a ambientação da obra, no sentido em que fez com que o seu mundo parecesse ser, de fato, vivo e real; um mundo que existiria e permaneceria funcional mesmo mediante a inexistência (ou morte) de nosso protagonista.
Entretanto, a obra não é perfeita. Infelizmente, eu me decepcionei (e MUITO!) com o que tange a sua carga dramática e emocional, justamente onde eu tinha mais expectativas com em relação a mesma. E foram dois os fatores que me impediram de gostar (e de me emocionar) mais da (com a) obra: o primeiro foi o seu protagonista, David. De forma simples e direta, apesar de ter um certo carisma e, assim como os demais personagens da obra, ser relativamente bem escrito, o meu problema com ele é que ele é burro, muito burro, e isso dificulta e muito a criação de um vínculo entre eu, telespectador, e o personagem, diminuindo toda a carga emocional e dramática do que o envolve. O segundo fator foi a maneira em como a história foi contada, i.e., a sua narrativa. Da metade para o final da obra, a maneira com que a história foi contada (com saltos temporais que, ao meu ver, foram exagerados em seu time lapse e que contou com um pacing esquisito, para dizer o mínimo) fez com que eu me desconectasse (ainda mais) da obra. Esses dois fatores abaixaram e MUITO o fator emocional da obra, e minhas expectativas quanto a isso eram ENORMES.
Mas, no geral Cyberpunk Edgerunners é uma obra que eu recomendaria sem medo para qualquer um, mesmo para aqueles que não jogaram Cyberpunk 2077 ou que não estejam habituados a assistir animes. Acredito que a obra seja tecnicamente muito boa e que os pontos que eu odiei na mesma sejam particulares a mim, pontos totalmente subjetivos e que se fundamentam na minha expectativa acerca da obra e da minha opinião com o tipo de personagem do David, mas nada objetivamente ruim a respeito da mesma.
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