Uma obra agradavelmente rasa.
Talvez seja exatamente o que pareça ser, uma história simples com uma comédia leve e divertida, que mesmo sendo temática, ainda é consideravelmente "moe", idealizando o elenco. Digo, todos os personagens têm um "gimmick" e, nada muito além disso. Porém, levando o contexto limpo e puro da história em consideração, essa idealização não é ruim; no final das contas, acrescenta na "inocência" da ambientação, o que consequentemente torna a leitura mais leve e despretensiosa.
Porque eu me divirto com a obra.
O casal principal é um dos pontos altos da obra, pois sempre existirão situações potencialmente divertidas em que eles podem se encaixar. O contraste deles com a premissa é o que inicialmente me chamou a atenção na obra. Eu gosto muito como a primeira cena estabelece o quanto eles são frios e como sua interação é completamente fora do padrão, construindo a eles uma imagem imponente e perfeita, para então quebrar essa imagem quando esse tipo de pessoa é exposta à uma situação mundana e, devido ao viés absurdo deles, agirem de uma maneira muito mais exacerbada do que qualquer pessoa "normal" poderia.
A obra consegue usufruir dos estereótipos dos personagens e passar com maestria a sensação de "primeira vez"; pois mesmo que eles sejam STEM, não têm experiência alguma com o "amor" que, na cabeça deles, soa como grandioso e indecifrável, e definitivamente digno de admiração e de ser material de estudo. Os dois problematizando coisas corriqueiras e ainda conseguirem criar cenas genuinamente românticas em cima disso é icônico, icônico e divertido o suficiente para que eu sempre termine um capítulo com um sorriso e pense "É, vale a pena acompanhar esse mangá".
Outros personagens
Sinceramente, não tenho muito a dizer sobre o resto do elenco, apenas que a sinergia entre eles é tão boa quanto a do casal principal. Há um capítulo (16) onde cada um deles interage individualmente com o outro para realizar uma certa atividade. Inesperadamente, cada um desses personagens, que até então, tinham apenas "um gimmick" são completamente diferentes dependendo de com quem estão interagindo. Fiquei surpreso com como os personagens passaram a ter mais do que apenas "um gimmick", até ficaram menos dependentes de serem o foco da cena para serem atrativos (como os coadjuvantes de Berserk, que nos dão motivos pra gostar deles, mesmo estando quase sempre como meros backgrounds nas cenas). Principalmente por ser uma comédia, onde os personagens são vitalmente importantes, Rikekoi está fazendo um bom trabalho com seu elenco.
Conclusão
A obra consegue ser concisa e autoconsciente o suficiente para conseguir vender sua ideia de uma maneira genuinamente interessante, a ponto de que ela não seria tão boa sem ser do jeito que é: simples, sem muito conteúdo, e perfeitamente saudável. Fico feliz de ler os "posfácios", onde o autor fala honestamente que só quer nos divertir, pois ele conseguiu comigo. É uma excelente maneira de passar o tempo, acompanharei a obra com muita boa vontade.Adendos especiais (completamente fora de ordem).
1- No momento em que escrevo esta resenha, Rikekoi é minha 4ª comédia favorita, perdendo apenas para Mob Psycho 100 (mesmo que o foco não seja comédia), One Punch Man e Mangaka-san to Assistant-san to.
2- Eu escrevi essa resenha imediatamente após terminar de ler a obra, por isso que a qualidade tá tão porca e a minha opinião está confusa, pois boa parte dela foi definida enquanto eu escrevia.
3- Para escrever esta resenha, eu li até o último capítulo lançado em inglês (19).
4- 7/10 é a maior nota que me permito dar para uma comédia, ou seja, eu dei 10/10 pra Rikekoi, tecnicamente.