Uma ousada, elegante, complexa, profunda e simplesmente ótima história para Katou Buntarou.
Considerando que o mangá é uma biografia, seu ritmo começa a ficar mais crível, assim como mais interessante. É a história de Mori Buntarou, do começo ao fim, foi uma obra focada em contar especificamente a sua vida. Descrevendo-a brevemente, é uma história completa, e uma jornada marcante. Eu normalmente não me importo com intenção autoral, mas como eu li o mangá após ver uma entrevista que ficou rodando minha mente durante a leitura, eu já não sou mais capaz de desassociar Kokou no Hito de Shinichi Sakamoto. Ele disse que queria criar "histórias que ficassem com as pessoas", e céus, estas palavras descrevem Kokou no Hito perfeitamente.
Um mangá de esporte?
Pé esquerdo total, o começo de Kokou no Hito é completamente diferente do resto da série, como se fosse outra pessoa escrevendo. A apresentação inicial que temos à escalada é completamente clichê, com direito a rival, professor e "campeonato". Apesar dos quatro principais (Mori, Miyamoto, Yumi e Oonishi) estarem fortemente amarrados ao resto da trama, eles foram apresentados no momento seco e insosso da história. Não é horrível, só é horrível comparado ao massivo mar de emoções que o segue. Agora que eu acabei a história, isto fica ainda mais nítido. De qualquer forma, foi aqui onde o primeiro de muitos traumas do Mori teve início.
Mori Buntarou.
Um dos personagens mais completos e coesos que já vi em uma narrativa. Ele é falho, impotente e completamente vivo. A maneira como o mangá lida com a sua natureza é encantadoramente bela, realçando suas características como ser humano a um nível que cada feição ou comportamento diferente que ele tenha, é passada no papel através de complexas simbologias. Mas mais que isso, ele é um personagem em constante mudança, assim como as pessoas. Ele é afetado por todos os acontecimentos do mangá de maneira implícita. É extremamente divertido compreender o Mori, pois a partir disto, é automático sentir o que ele sente, entender de maneira dolorosamente precisa as simbologias que representam sua mentalidade. Eu simplesmente criei uma conexão e identificação com o personagem.
A constante experimentação em seu ritmo.
O ritmo de Kokou no Hito é único, e definitivamente uma de suas principais características. Suas jogadas são criativas, ousadas, modernas, desconstrutoras e dignas de todos os elogios que eu possa dar, mas são consideravelmente confusas. É uma incógnita interessante. As brincadeiras geniais de transformar o presente em flashback em pouquíssimas páginas são agradáveis surpresas que compõem a leitura, mas também podem ser alvo de crítica, afinal, são tantos núcleos profundos sendo trabalhados, uma mistura súbita de tantos sentimentos de difícil descrição, que é muito fácil se embriagar no meio destes, e boiar no meio das situações. Porém, é o esperado de algo que foge completamente do padrão. No meu caso, eu fui completamente comprado pela imersível sequência de acontecimentos (apesar de ter sido obrigado a reler uma parte ou outra, não me arrependo de nada). Eu me senti uma criança sendo exposta à inúmeros sentimentos desconhecidos, exposta a um mundo novo, exposta à Kokou no Hito.
Conclusão.
Sinceramente, se não fosse pelo seu começo e possível confusão para leitores casuais, eu diria que Kokou no Hito é uma obra prima. Ele peca muito pouco. Todos os seus personagens são vivos, todos têm importância na vida do Mori e (consequentemente) na história. São 17 volumes onde absolutamente nada é dispensável, incluindo a excelente experiência que foi estar nas montanhas com o Mori.
Adendo especial..
-Obviamente, tanto Kokou no Hito quanto o Mori entraram para os meus favoritos, e o autor também.