Fullmetal Alchemist já está consolidado como uma das obras mais conceituadas dentre as provindas do Japão. E isso vem principalmente por parte de sua segunda adaptação, que seria a Brotherhood, sendo a versão verdadeiramente fiel ao mangá, já que a clássica havia terminado não canonicamente. Mas, mesmo que ele seja extremamente bem falado, ao meu ver, ele é provavelmente o anime mais superestimado que eu já vi, principalmente pelos fãs e pessoas que o assistem por recomendações.
─ Proposta ─
Inicialmente, Fullmetal se foca em explorar a jornada de 2 irmãos pela recuperação de seus corpos, perdidos ao cometerem erros no uso da alquimia. E isso também está diretamente ligado com a perda da mãe de ambos, sendo a perfeita justificativa para se adentrarem mais nessa "matéria". Mas, com o tempo, a obra vai se expandindo e tratando de vários outros assuntos, se relacionando principalmente com questionamentos sobre a vida e o seu preço, ou até mesmo, preconceito entre raças e várias outras coisas. E tudo isso, é um dos problemas da obra.
─ Enredo ─
O meu maior problema com Fullmetal, é a maneira como ele trata todos os aprendizados tragos pela alquimia. Eles existem e realmente importam e mudam certos personagens, mas isso não acontece de forma tão clara quando se está fora do ambiente da Verdade, tanto o anime como o mangá, não demonstram tanto a absorção disso tudo com grande parte do elenco (com exceção dos 2 protagonistas), e isso torna o conceito da obra num geral, extremamente inferior ao seu potencial. Inclusive, a obra perde muito tempo com alguns aprofundamentos para tentar aprofundar mais ainda a alquimia, e um exemplo disso é o próprio Scar. Ele tem seu passado contado e envolvido a um conflito entre raças, mas isso é totalmente ignorado posteriormente, já que a autora não trabalhou e desenvolveu isso. E além disso, o conflito em si foi extremamente marcante para uma época, mas teve pouco espaço no enredo, se tornando mais insignificante do que deveria e se tornando um problema.
Fora isso, eu também tenho um incomodo por parte dos dramas inseridos durante o enredo, já que para eles funcionarem verdadeiramente, deveria haver uma atenção grande para com seus personagens. Só que, isso não acontece com todos, e o maior exemplo disso são os vilões, que num geral, recebem pouco aprofundamento, o que torna suas mortes pouco impactantes e memoráveis. E por parte do anime isso ainda piora, pois ele acelera desnecessariamente o seu início, tornando tudo muito superficial e rápido além do necessário. Mal temos tempo para nos apegarmos ao Hughes, pois ele é retirado do enredo em pouco tempo no Brotherhood (diferente do mangá e do clássico).
Agora já entrando em outra área, eu preciso falar sobre a comédia de FMA. Como é um shounen majoritariamente "padrão", a comédia seria um dos seus elementos mais presentes. Só que, se isso fosse usado bem, seria uma qualidade, mas não é o que acontece. A comicidade inserida dentro dos acontecimentos da obra, é muito mal colocada em todas as suas versões, pois tira um pouco da seriedade que certas cenas estavam possuindo, para algo que nem graça tem, pois é apenas uma repetição da mesma fórmula desde o início. A autora parece tentar usar isso para amenizar mais a experiência, mas exagera, e falha.
Inclusive, outra crítica que merece ser feita, é com a geografia da obra. Nós somos apresentados a inumeros locais diferentes do ambiente principal dos personagens, mas eles não recebem a atenção devida, mesmo que sirvam até para objetivo de alguns personagens. O conflito entre raças que eu citei sofre bastante disso também, já que temos uma apresentação, mas não uma utilização verdadeira. Tudo bem, o objetivo da obra não era esse, mas é evidente que sem mais trabalho, o motivo para existirem é inferiorizado.
Outro ponto que eu quero destacar brevemente, é a conveniência existente na reta final de Fullmetal. O vilão principal, é aprofundado e construído de uma maneira, mas a obra quando mais precisa, muda levemente isso para abrir uma brecha na sua onipotência. Tudo bem, isso é um caso em um restante quase não conveniente, mas ainda é válido de se destacar, pois muda o rumo dos acontecimentos. Mas de resto, realmente, o final da obra é acima da média, tirando certos fatores que irei citar posteriormente.
─ Personagens ─
Fullmetal Alchemist desde cedo já inseriu vários personagens para o seu elenco, então é perdoável que não consiga desenvolver todos. Só que, tirando a minha reclamação sobre suas motivações relacionadas com a alquimia, eles são péssimos em personalidade e caracterização em alguns momentos. O maior exemplo disso são os vilões, que não possuem um verdadeiro carisma, e então, não se tornam atraentes para o consumidor, pois acabam não possuindo nenhuma qualidade destacável fora o conceito do homúnculo. Isso pode parecer totalmente subjetivo, mas ao meu ver, um shounen que se propõe a entreter como Fullmetal, necessita de personagens com carisma, principalmente para os usar bem na comédia. Os próprios personagens principais, num geral, mesmo que possuam alguns traços de carisma, pecam ainda na sua utilização dentro do enredo, pois atrapalha a seriedade como eu já citei.
E adentrando na área de desenvolvimento, é realmente onde Fullmetal menos explora. Fora os "heróis principais", o restante é apenas usado como o lado oposto e no máximo aprofundado e construído, mas fora isso nada. O próprio Pai não recebe nada além de um aprofundamento, ele simplesmente existe para ser o confronto final, mas não é um personagem recorrente o suficiente para ser desenvolvido (que nem grande parte do resto dos vilões). Mas, o pior de tudo, é falhar em desenvolver a relação dos principais. Dando como exemplo o amor do Winry e do Edward, esse foi o meu problema com o final, ele nunca ficou claro durante a obra, pois a relação deles se resumia ao conserto dos mecanismos dos 2 irmãos. Qual profundidade isso dá pro relacionamento de ambos? Nenhuma.
Ressaltando também que a utilização de seus secundários é bem ofuscada, já que geralmente, se tornam apenas ferramentas de luta ou conhecimento para os 2 protagonistas avançarem.
Enfim, o meu último ponto relacionado aos personagens de Fullmetal, é o aprofundamento de sua maioria. Até mesmo os irmãos Elric pecam nisso, já que em suas adaptações, o passado dos 2 é bem pouco minucioso, então o seu impacto é prejudicado. Diferente do mangá, que tem um maior aprofundamento, mesmo que também ao meu ver, não seja algo tão grande. De resto, grande parte é vazia nisso mesmo.
─ Escrita e Arte/Produção e direção ─
O mangá de Fullmetal possui uma arte pouco destacada e detalhada, o que não é um problema, já que ele desde o início não seria algo tão sério para necessitar de algo maior. Mas, ela é pouco expressivamente única de certa forma, não tem nada que eu possa destacar nela para a dar como uma qualidade, apenas não a consigo ver como um verdadeiro defeito também. Já a escrita, eu detalhei minhas problemáticas relacionadas a comédia anteriormente, e as ressalto novamente aqui, isso atrapalha muito e não tem a mínima graça no material original, além de ser enjoativo. Mas fora isso, é incrível se tratando do conceito da Verdade e as suas mensagens, além de conseguir se sair relativamente bem nas partes dramáticas.
Agora, sobre a sua produção e direção, eu terei que dividir em duas partes:
1º: Fullmetal Alchemist - Sinceramente, para a época a produção era bem acima da média, não vejo tanta inconsistência nem mesmo na sua reta final original. Não é nada tão agradável assim, mas é funcional para a proposta da obra. Só que, se tratando da direção, eu vejo falhas principalmente nos momentos cômicos e dramáticos, que como citado anteriormente, pecam no equilíbrio de seriedade e descontração. Mas no restante, é consistente.
2º Fullmetal Alchemist Brotherhood - Agora sim o meu maior problema com a obra num todo, sua versão mais aclamada. A problemática com a comédia continuou, mas agora, sendo mais presente e incomodante, mesmo que seja relativamente mais bem feita. A única desvantagem que sumiu foi na dramatização, que deu um grande salto num geral, apenas sendo prejudicada pelo timing cômico novamente. E em quesitos de produção, foi simplesmente impecável, não posso reclamar.
E para concluir, preciso escrever um pouco sobre a adaptação que o mangá recebeu. No clássico, mesmo que esteja incompleto, tivemos um bom ritmo e bom destaque para o que importava, mesmo com seus defeitos. Mas no Brotherhood, tivemos uma péssima escolha de acelerar o início por já ter sido adaptado em seu antecessor, mas isso não anula nada dessa péssima escolha. Tivemos a perda de um aprofundamento maior de 2 grandes momentos marcantes da obra, sendo isso por acelerar e até mesmo optar por outros meios desnecessários.
Para mim, a adaptação só se salva em sua reta final, que até melhorou o original.
─ Experiência ─
Um dos pontos em que Fullmetal mais pode ser prejudicado por todo o seu hype, é justamente na experiência. Mesmo que a maioria realmente goste do anime ou do mangá, eu desgostei mais do que deveria por todo esse alvoroço feito sobre a qualidade da obra, sendo algo que eu não entendi os motivos para acontecer ao concluir. Talvez até mesmo alguns problemas que eu tive, sejam provindos desse fator, que infelizmente nunca terminará graças a grande massa de fãs que a obra possui atualmente, que são em alguns casos, bem displicentes ao explicar do porque esse ser o suposto melhor anime já feito. Mas felizmente isso não acontece sempre, é apenas uma minoria.
─ Conclusão ─
Fullmetal Alchemist é erroneamente recomendado para aqueles que visam entrar no consumo de obras nipônicas, e eu digo isso porque a maioria acaba o superestimando naturalmente, já que ele é mais complexo de se avaliar do que aparenta. Isso é um problema por ofuscar inúmeras outras obras superiores, criando um endeusamento desnecessário para qualquer versão da obra. Não é difícil parar pra pensar que existem animes melhores, mas eles são deixados em segundo plano por esse maior destaque que Fullmetal e outros possuem. É claro que a sua experiência com a obra pode ser boa, mas dizer que não há erros verdadeiros não faz sentido, já que não existe uma obra verdadeiramente perfeita, apenas as mais próximas disso, o que Fullmetal não é.
Mas mesmo que não aparente, eu o vejo como um grande shounen, já que comparando com outros, ele é bem acima da média e cumpre bem alguns pontos que propõe, mesmo que falhe em outros comuns. Eu o recomendaria para aqueles que se interessam pelos principais da demografia, mas não recomendaria para aqueles que querem uma obra esplêndida também.
Talvez eu tenha esquecido de citar algo, principalmente se tratando de algumas qualidades óbvias. Mas no mais, essa é a minha opinião.
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